Governança, ética e tecnologia reforçam confiança no ambiente de negócios, avaliam especialistas

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A adoção de boas práticas de governança, o fortalecimento da ética profissional e o uso estratégico da tecnologia foram apontados como elementos essenciais para aumentar a confiança no ambiente de negócios e preparar empresas e instituições para cenários de crise. Esses temas estiveram no centro do debate no painel “Preparação para crises econômicas e o papel da contabilidade”, promovido na tarde desta quarta-feira (11), durante o Brazil PAO Summit 2026.

O evento integra o Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs e contou com a participação do economista-sênior do Banco Mundial, Fabiano Silvio Colbano, do presidente do Ibracon, Sebastian Yoshizato Soares, e do presidente da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (Ucalp), Aécio Prado Dantas Júnior, como mediador.

Durante a discussão, os participantes destacaram que a gestão de riscos precisa deixar de ser uma prática restrita às grandes organizações e passar a integrar também a rotina das pequenas e médias empresas. Para isso, a contabilidade pode desempenhar um papel decisivo ao ajudar empresários a migrar de uma postura reativa, de “apagar incêndios”, para uma cultura preventiva baseada em planejamento, controle e análise de dados.

Sebastian Soares ressaltou que a tecnologia tem papel fundamental nesse processo, especialmente para organizações de menor porte. Segundo ele, muitas dessas empresas enfrentam limitações para investir em soluções sofisticadas, o que torna ainda mais importante ampliar o acesso a capacitação técnica, seminários e ferramentas tecnológicas de baixo custo ou gratuitas.

O presidente do Ibracon também chamou atenção para um desafio que afeta o ambiente de negócios em escala global: a crise de confiança provocada por escândalos corporativos e casos de corrupção. Nesses contextos, profissionais da contabilidade e da auditoria frequentemente estão entre os primeiros a ter sua atuação questionada quando surgem fraudes ou irregularidades.

Para ele, é necessário compreender que a governança corporativa envolve diversos agentes, como conselhos de administração, comitês de auditoria, auditores internos e externos, analistas de mercado e órgãos reguladores. “Todos são guardiões do mercado e precisam assumir suas responsabilidades dentro do processo de governança”, afirmou.

Vulnerabilidade das pequenas empresas

Na avaliação de Fabiano Colbano, pequenas empresas tendem a ser mais vulneráveis a crises econômicas justamente por possuírem menos mecanismos de proteção e menor capacidade de adaptação financeira. Por isso, a adoção de sistemas de controle interno e de gestão de riscos é ainda mais necessária para esse segmento.

Ele destacou que, nas grandes corporações, a gestão de riscos costuma ser acompanhada por diversos comitês e estruturas de monitoramento. Entretanto, nas pequenas e médias empresas, muitas vezes esses mecanismos ainda não existem.

Nesse cenário, o contador assume papel estratégico. “O profissional da contabilidade não deve atuar apenas como preparador de informações, mas também como conselheiro de gestão, contribuindo para decisões estratégicas”, explicou.

Cooperação internacional e confiança econômica

Os debatedores também ressaltaram a importância da cooperação entre entidades do setor privado, instituições multilaterais e órgãos públicos para fortalecer a governança e estimular investimentos.

Sebastian afirmou que o Brasil precisa reconstruir a confiança dos investidores internacionais, especialmente em um contexto global marcado por instabilidade econômica, tensões geopolíticas e taxas de juros elevadas. Segundo ele, episódios de fraude e investigações prolongadas podem impactar negativamente a percepção do mercado e afastar investimentos.

Para enfrentar esse cenário, ele defendeu a construção de uma agenda nacional que reúna reguladores, entidades de mercado, associações profissionais e representantes do setor público para discutir propostas concretas de fortalecimento institucional e desenvolvimento econômico.

Fabiano reforçou que a confiança é um fator central para o crescimento das economias. Segundo ele, investidores avaliam constantemente o nível de risco antes de decidir onde aplicar recursos, e elementos como transparência, segurança jurídica e estabilidade institucional influenciam diretamente essas decisões.

“O investidor não gosta de risco. Qualquer incerteza sobre qualidade das informações, transparência ou funcionamento das instituições afeta a decisão de investimento”, afirmou.

Ao final do painel, os debatedores trouxeram um aspecto considerado essencial: a ética profissional, especialmente em situações de pressão. Para Fabiano Colbano, manter a integridade mesmo diante de interesses conflitantes é uma das competências mais importantes para qualquer profissional que participa de processos decisórios. “Ser ético quando não há pressão é fácil. O desafio é manter a ética quando existe pressão por resultados”, concluiu.

Fonte: CFC

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